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Galeria Luciana Brito

Ruptura - 10 novembro à 19 janeiro, 2019

LB News
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No início dos anos 1950, a cidade de São Paulo, em ritmo de industrialização e crescimento urbano acelerados, encontrava-se num período de intensa movimentação cultural, impulsionada principalmente pela inauguração recente de dois importantes museus que destacavam a arte moderna e pela criação da Bienal Internacional de São Paulo. A disputa entre figuração e abstração na arte é então motivo de acalorados debates. Nesse contexto, um grupo de jovens artistas reuniu-se em torno da defesa da abstração e organizou, em dezembro de 1952, uma exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo, acompanhada pela publicação de seu manifesto, ambos sob o título de Ruptura.

 

Geraldo de Barros, Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto, Lothar Charoux, Kazmer Féjer, Leopold Haar e Anatol Wladyslaw assinavam o manifesto, que afirmava a “renovação dos valores essenciais da arte visual (espaço-tempo, movimento e matéria)” e apresentava o seu lema: “a obra de arte não contém uma ideia, é ela mesma uma ideia”. Declarando sua posição radicalmente de vanguarda, esses artistas – aos quais, nos anos seguintes, se juntaram outros como Judith Lauand e Hermelindo Fiaminghi – passaram a desenvolver um programa estético de linhagem construtiva, explorando relações restritas de cores puras e ritmos com base em alinhamentos, polaridades, progressões e deslocamentos, inspirados sobretudo na “lógica interna de desenvolvimento e construção”, definida por Max Bill (que havia exposto em São Paulo e, na época, diretor da Escola Superior da Forma, em Ulm, descendente da Bauhaus). Suas obras procuram não a revelação imediata, mas a inteligência da nossa percepção no jogo contínuo entre o todo e as partes.

 

Sob a denominação de arte concreta, essa produção estruturou-se em princípios teóricos claros e numa prática que, daí em diante, manteve no horizonte a intervenção do artista no cotidiano da vida social. Como se pode ver nesta exposição, isto se daria através de desenhos, pinturas, esculturas, objetos ou fotografias, mas também por sua atuação no design de móveis, na comunicação visual, nos projetos de arquitetura e paisagismo, investindo na articulação produtiva entre arte e indústria, num momento de otimismo em que o Brasil estava empenhado em se modernizar.

 

Mesmo não se concluindo, a aposta utópica desses artistas fez história, representando uma verdadeira virada qualitativa na produção e na discussão da arte feita no país, dando lugar a desdobramentos importantes, entre eles o neoconcretismo, que renovaram a sua pergunta sobre como e para quem a arte se faz. 

 

 

João Bandeira

Luciana Brito Galeria apresenta a exposição coletiva "Ruptura" contando com os artistas:
Geraldo de Barros, Augusto de Campos, Lothar Charoux, Waldemar Cordeiro, Kazmer Féjer, Hermelindo Fiaminghi, Leopoldo Haar, Judith Lauand, Luiz Sacilotto e Anatoz Wladyslaw

 

visitação: de 10/11 a 19/01/2019

terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 18h