Sejam inéditos ou mais antigos, como SOL DE MAIAKÓVSKI (1982/93), os CONTRAPOEMAS se fazem presentes na mostra como forma de oposição ao atual contexto. “Este momento jurídico-político brasileiro me traumatizou muito. Acho trágico para o Brasil o retrocesso imenso que ocorreu desde o impedimento da presidente eleita”, explica. Uma intensa pesquisa de materiais antecedeu a produção da mostra, pois todos os poemas são apresentados em nova finalização, incluindo formatos e suportes expandidos, diversos dos de anteriores exposições. Neste sentido, o destaque vai para a obra LUXO, que se exibe pela primeira vez num molde cogitado por Augusto nos anos 1960, mas que não lhe havia sido então possível executar. Cobrindo um arco de mais de meio século, a exposição passa por vários momentos da sua evolução poética, com ênfase nas artes plásticas.
Trata-se de um registro sintético, mas de alta qualidade material, que busca ser fiel aos ideais do poeta, expressos nos aforismos de dois de seus artistas preferidos: Anton Webern: “non multa sed multum”. Emily Dickinson: “Pouco, mas muito.“
