ArPa 2026
Apresentação
Estande B5
A Luciana Brito Galeria e a Galeria Estação têm o prazer de anunciar um estande colaborativo para a ArPa 2026. Para a ocasião, a Luciana Brito Galeria apresenta uma seleção especial de pinturas de Gabriela Machado (1960, Rio de Janeiro) e esculturas inéditas do Estúdio Campana (Fernando Campana 1961-2022. Humberto Campana, 1953. São Paulo), em diálogo com obras de Santídio Pereira (1996, Piauí) e André Barion (1996, São Paulo), pela Galeria Estação. Ao reunir diferentes gerações, repertórios e linguagens, a seleção proposta pelas duas galerias evidencia múltiplas abordagens da paisagem na arte contemporânea, explorando-a não apenas como representação do mundo natural, mas também como território simbólico, afetivo e cultural, atravessado por distintas formas de perceber, habitar e reinventar o entorno.
No conjunto de pinturas, algumas apresentadas recentemente na exposição Ainda Bem, Atravessei as Nuvens, na Luciana Brito Galeria, Gabriela Machado articula fragmentos de histórias, memórias e paisagens observadas em viagens e no cotidiano. Esses acontecimentos, à primeira vista banais, ganham densidade e potência poética ao serem reinterpretados pela artista, que registra não apenas cenários, mas também atmosferas cromáticas e sensações que atravessam suas experiências. Já as esculturas do Estúdio Campana, realizadas com materiais como vidro e corda, evocam formas orgânicas que parecem oscilar entre natureza e imaginação, como se emergissem do próprio universo pictórico de Gabriela Machado. Em ambos os casos, o fazer manual atua como princípio estruturante, aproximando pintura e escultura em um campo comum no qual matéria, ritmo e experiência sensorial se entrelaçam. Nas peças do Estúdio Campana, o imaginário popular brasileiro, expresso em cores, materiais e formas, é reconfigurado em composições intensas e dinâmicas, que afirmam o design como espaço de experimentação, troca e transformação.
As pesquisas de Santídio Pereira e André Barion também convertem a paisagem em uma experiência sensível por meio das suas qualidades formais. Enquanto Santídio Pereira desenvolve composições marcadas pela síntese da matéria, pelo silêncio e pela contemplação, aproximando natureza, memória e espiritualidade por meio da xilogravura, do desenho e da pintura, André Barion constrói superfícies orgânicas e fragmentadas a partir de tecidos, costuras e sobreposições, criando obras que transitam entre o vegetal, o corpo e a abstração. Em ambos, a matéria ocupa um papel central: a madeira gravada e os tecidos costurados preservam vestígios do gesto, do tempo e da transformação. A partir de procedimentos contemporâneos, os artistas revisitam tradições materiais brasileiras e estabelecem um diálogo entre contenção e expansão, vazio e proliferação, no qual a paisagem deixa de operar como descrição para se afirmar como campo poético e perceptivo.
Obras
