Artista Visitante - Marcia Grostein: Pull/Pulso
A Luciana Brito Galeria tem o prazer de apresentar Marcia Grostein – Pull/Pulso, primeira exposição individual da artista no Brasil em três décadas, desde 1995, como parte do programa Artista Visitante. Radicada em Nova York desde 1979, Marcia Grostein reúne um conjunto inédito de trabalhos que evidencia o caráter experimental de sua pesquisa e a investigação contínua das relações entre materiais, suportes e diferentes linguagens. A exposição inclui ainda pinturas de grande dimensão, nas quais a gestualidade, a intensidade cromática e o diálogo entre figuração e abstração articulam-se em composições de forte presença espacial. O projeto conta com a colaboração da Kreëmart.
Desde os anos 1970, Marcia Grostein transitou por diferentes linguagens e campos de investigação, construindo uma prática marcada pela experimentação e pelo interesse constante pelo corpo, movimento, espaço e matéria. Enquanto Pull remete à força, à atração e ao magnetismo, Pulso evoca o corpo, o ritmo e a vida. A combinação bilíngue dos termos sintetiza aspectos fundamentais de sua trajetória e permite compreender sua maneira de abordar a pintura e a escultura como campos expandidos, permeáveis e em permanente transformação.
A relação entre pintura e escultura é importante para compreender o trabalho de Márcia Grostein, que sempre teve o movimento e a coreografia como elementos recorrentes da sua pesquisa. Suas esculturas percorrem o ambiente e preservam algo do gesto, das linhas sinuosas e da energia cromática característica de sua pintura, transpondo esses elementos para a tridimensionalidade. Na exposição, essa relação se manifesta tanto nas esculturas de maior escala, dispostas diretamente no chão, como She (1993), quanto nas obras menores, como METAL _ MORFOSE (2024), instaladas nas paredes, e nas functional sculptures (luminárias) produzidas a partir de uma resina especialmente desenvolvida pela artista. Em diferentes escalas e suportes, essas obras revelam uma pesquisa que transforma matéria em formas que se expandem pelo espaço.
Em sua produção, a imagem pictórica frequentemente extrapola os limites da tela para se desdobrar em objeto e escultura, estabelecendo relações não apenas entre diferentes materiais e formas, mas também entre a obra e o corpo. Desenvolvida a partir de sua pesquisa Mineral Tongues (2021), a série Threshold (2026) reúne pequenas pinturas acompanhadas de objetos que, acoplados às obras por meio de ímãs, podem ser retirados, manipulados e transferidos para o corpo. Os ímãs, nesse contexto, não constituem apenas uma solução técnica, mas instauram um sistema de atração, deslocamento e equilíbrio: uma parte da pintura pode se desprender, deslocar-se para o corpo e, posteriormente, retornar à obra. A pintura, assim, deixa de se apresentar exclusivamente como superfície para contemplação e incorpora o toque e a manipulação como dimensões constitutivas da experiência.
A trajetória de Marcia Grostein desenvolveu-se em estreito diálogo com a efervescente cena artística de Nova York dos anos 1970, apresentando sua primeira mostra na cidade em 1978, com texto de apresentação de Willem de Kooning. Nesse contexto, estabeleceu relações com outros nomes importantes da arte internacional, entre eles James Rosenquist e Joseph Beuys. Em 1980, a artista passou a integrar a Betty Parsons Gallery e em 1983, apresentou Homage to Betty Parsons: Marcia Grostein and Jackson Pollock, colocando sua produção em diálogo com a obra do pintor expressionista e fortalecendo sua presença na cena artística daquele momento.
Sua trajetória, no entanto, ultrapassa essas relações e qualquer filiação específica à tradição da arte norte-americana. Desde o início de sua carreira, sua prática é marcada pela liberdade entre meios e pela disposição para investigar diferentes possibilidades formais, materiais e conceituais. Dança, pintura, escultura, fotografia, vídeo, performance, instalação e arte pública, como a série Sky Drawings (1999-2000), onde o desenho transforma o espaço aberto do céu em parte da obra, integram um percurso multidisciplinar no qual Marcia Grostein explora, de maneira contínua, as relações entre gesto, matéria, corpo e espaço. Esse trânsito entre linguagens não constitui apenas uma característica de sua produção, mas um modo de pensar a própria experiência artística.
