• Tiago Tebet

    Between you and me, the sun and the moon
     
    Texto Ricardo Carioba
     
    23.05 - 20.06.26
  • T I A G O T E B E T “Representação imaterial da paisagem infinita”, 2025/2026 óleo sobre tela oil...
    T I A G O  T E B E T
    “Representação imaterial da paisagem infinita”, 2025/2026

    óleo sobre tela

    oil on canvas

    150 x 200 cm
    59.05 x 78.74 in
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  • T I A G O T E B E T “Meu amigo desconhecido e todo o seu charme inusitado”, 2025/2026...
    T I A G O  T E B E T
    “Meu amigo desconhecido e todo o seu charme inusitado”, 2025/2026

    óleo sobre tela

    oil on canvas

    160 x 120 cm
    63 x 47.24 in
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  • Acidente e autonomia

    Ricardo Carioba
    Antes de qualquer forma se fixar, há um campo que se anuncia como vibração difusa. Algo se espalha, ocupa o espaço, atravessa o corpo sem pedir nome. A percepção desacelera, ajusta sua respiração, entra em outro regime de atenção. O olhar deixa de buscar e começa a acompanhar. Há uma espécie de suspensão onde tudo se mantém em estado de aparecimento, como se a imagem ainda estivesse se formando diante de nós.
    A exposição de Tiago Tebet na Luciana Brito Galeria se organiza sob o título Between You and Me, the Sun and the Moon, como um sistema de relações em ativação contínua. Cada trabalho emite, sustenta e transforma frequências, estruturando o espaço como uma constelação sensível onde elementos autônomos entram em ressonância e produzem zonas de intensidade. É nesse campo que pensamento e imagem se entrelaçam quase como constelação, configurando uma experiência que se atualiza no tempo do olhar.
     
    A aproximação com esse trabalho acontece como uma forma de atenção. Há uma intensidade que atravessa as superfícies e se afirma como presença. A experiência vital se acumula, se tensiona e se reorganiza continuamente. O olhar se expande como percepção, um corpo que sente antes de reconhecer, que se envolve antes de nomear. Essa força atravessa a vida de Tiago de maneira contínua, conectando experiência e forma em um mesmo fluxo.
     
    O corpo inaugura esse processo. O gesto estabelece as primeiras ondas, e a memória do movimento permanece ativa na construção da imagem, criando uma pulsação contínua. No ateliê, cada pintura começa como ativação de uma zona instável e se desenvolve por acúmulo, deslocamento e interferência. Há um momento em que a obra assume a condução, organizando suas próprias relações internas enquanto o artista sustenta esse campo em transformação por meio de uma atenção constante.
     
    Há um instante em que tudo se torna mais lento. A superfície deixa de ser apenas vista e passa a ser habitada. Pequenas variações ganham espessura, intensidades quase imperceptíveis começam a se destacar. O olhar percorre e permanece. Como em um estado meditativo, a imagem se abre em camadas sucessivas. O tempo se dilata, e o que aparece não se fixa; continua.
     
    A pintura faz vibrar o visível. A superfície se apresenta como uma zona de incidências onde densidade e abertura coexistem, conduzindo o olhar por uma experiência de duração. As obras se articulam como constelações, nas quais elementos mantêm sua singularidade enquanto entram em relação. Corpos e paisagens emergem como presenças em trânsito, habitando um espaço entre onde o visível se torna experiência energética. Cada trabalho ativa um regime específico, organizando a percepção como vibração.
     
    Nas pinturas de Tiago, surgem duas formas de presença que organizam a experiência de modo distinto. Em algumas obras, aparecem seres condensados em aglomerações de energia, quase figuras em estado de formação, olhos, centros de atenção que flutuam na superfície e parecem captar, emitir e reter. Esses corpos sem contorno estável instauram uma presença de entidade, de aparição, de força que se oferece como intensidade.
     
    Olhos sem rostos aparecem como dispositivos de atenção, em que a imagem parece olhar de volta. O motivo ocular se multiplica e se contamina com o entorno, fazendo ver e ser visto quase indistinguíveis. Essa pintura preserva uma pergunta aberta e ativa um espaço de pensamento, onde a figura insiste como emergência, quase rosto, quase órgão de percepção. O que se impõe é uma topologia de forças, com núcleos circulares, vapores cromáticos e pequenas irrupções de brilho entre formação e dissolução. Tiago os descreve como seres que atravessam culturas, religiões e tempos, entre o humano, o cósmico e o terrestre. A obra não ilustra essa fala: ela a encarna como deformação sensível, espessura instável do visível, entre luz e sombra, anterioridade e futuro. Nesse ponto, a pintura se abre como um Sol cosmológico, fonte de emissão e gravidade sensível que reorganiza o olhar em constelação.
     
    Em outros momentos, o espaço é conduzido por um movimento rítmico, musical, cósmico, construído por repetições, pulsações e recorrências que reorganizam o tempo da visão. A imagem se desdobra como frequência, criando uma temporalidade própria, em que o olhar entra num fluxo contínuo e o espaço se torna expansão sensível. Nesse regime, a pintura atua como sequência de ressonâncias, e a experiência se aproxima de uma escuta do visível, onde repetição e variação estruturam o campo pictórico.
     
    É nesse ponto que a pintura se aproxima também de uma dimensão profundamente vivida do fazer artístico, uma espécie de travessia onde o gesto se constrói no contato com o mundo. Como na lembrança evocada por Milton Nascimento, em que “muita gente boa pôs o pé na profissão / de tocar um instrumento e de cantar”, a prática aqui não se separa da experiência, mas se alimenta dela. “Cantar era buscar o caminho / que vai dar no Sol” e, nesse mesmo impulso, a pintura de Tiago se organiza como um campo orientado por esse Sol cosmológico, uma fonte de emissão, expansão e gravidade sensível que reorganiza o olhar em constelação.
     
    Realizadas em seu estúdio em Berlim, as pinturas introduzem uma nova ambiência, marcada por silêncio, tempo expandido e maior densidade. A prática se afirma como processo contínuo de transformação, no qual o artista se desloca dentro do próprio trabalho. No espaço expositivo, as obras se expandem como sistema de relações, e o olhar participa ativamente dessa construção. Cada trabalho guarda a memória de um acontecimento que permanece em circulação, ativo no tempo de quem olha.

     

    No claro, um sopro se derrama,
    e o ar se curva em estado de erosão;
    tudo se inflama, tudo se reprograma
    num centro móvel de transformação.
     
    Há um rasgo que o espaço chama,
    um rio de força em plena diluição;
    cada impulso vibra, incendeia e proclama
    a gravidade de sua própria pulsação.
     
    Tudo parece nascer enquanto some:
    uma flora de ar, uma louca de pressão,
    como se a cena guardasse um nome
     
    que só se escuta ao perder a razão.
    E quem entra ali, tomado desse dome,
    se deixa levar por pura expansão.

     

     

    Ricardo Carioba
    Berlim, 15 de maio de 2026
  • T I A G O T E B E T “Paisagem do infinito III”, 2025/2026 óleo sobre tela oil on...
    T I A G O  T E B E T
    “Paisagem do infinito III”, 2025/2026

    óleo sobre tela

    oil on canvas

    120 x 160 cm
    47.24 x 63 in
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  • T I A G O T E B E T “Mein Deustcher freund”, 2025/2026 óleo sobre tela oil on canvas...
    T I A G O  T E B E T
    “Mein Deustcher freund”, 2025/2026

    óleo sobre tela

    oil on canvas

    200 x 150 cm
    78.74 x 59.05 in
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  • T I A G O T E B E T “Introdução à arte, literatura, filosofia, amor e a criação do...
    T I A G O  T E B E T
    “Introdução à arte, literatura, filosofia, amor e a criação do ser”, 2025/2026

    óleo sobre tela

    oil on canvas

    200 x 150 cm
    78.74 x 59.05 in
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  • T I A G O T E B E T “A relação entre eu e você e o nosso amigo...
    T I A G O  T E B E T
    “A relação entre eu e você e o nosso amigo desconhecido”, 2025/2026

    óleo sobre tela

    oil on canvas

    160 x 120 cm
    63 x 47.24 in
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  • T I A G O T E B E T “A construção do sensível e a pequena morte do ser”,...
    T I A G O  T E B E T
    “A construção do sensível e a pequena morte do ser”, 2025/2026

    óleo sobre tela

    oil on canvas

    80 x 100 cm
    31.50 x 39.37 in
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  • T I A G O T E B E T “Das gegenteil von angst ist liebe”, 2025/2026 óleo sobre tela...
    T I A G O  T E B E T
    “Das gegenteil von angst ist liebe”, 2025/2026

    óleo sobre tela

    oil on canvas

    80 x 100 cm
    31.50 x 39.37 in
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  • T I A G O T E B E T “Paisagem do infinito II”, 2025/2026 óleo sobre tela oil on...
    T I A G O  T E B E T
    “Paisagem do infinito II”, 2025/2026

    óleo sobre tela

    oil on canvas

    120 x 160 cm
    47.24 x 63 in
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  • Tiago Tebet

    1986, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha.
     
    A pintura como linguagem é o principal objeto de pesquisa de Tiago Tebet, que desde muito jovem, vem explorando seus processos e formas de ressignificação. Associada a uma habilidade técnica impecável, a investigação do artista destaca-se ainda pela originalidade com a qual explora as possibilidades e as especificidades da representação na pintura. Sua investigação preocupa-se com os processos de construção e materialidade, como métodos mecânicos e artesanais, que usa para atingir resultados mais espontâneos, levando a uma maior variação de linguagens. 
     
    Tiago Tebet graduou-se em artes plásticas pela FAAP-SP, em 2009, e, nos anos 2007, 2008 e 2009, participou de três Anuais (exposições internas da FAAP), sendo selecionado para bolsa de estudos. Ainda na faculdade, integrou o grupo Anarcademia, de Dora Longo Bahia, por meio do qual participou da 28a Bienal de São Paulo, em 2008. Entre as exposições individuais estão no Espaço Auroras (São Paulo, Brasil, 2023), Luciana Brito Galeria (São Paulo, Brasil) 2019, 2013 e 2011), Lisa Kandhofer Galerie (Áustria, 2018), resultado da Summer Residence, e Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2017). Entre as exposições coletivas de que participou, destacam-se a Paralela (2010), Museu de Arte de Ribeirão Preto (2011), TRIO Bienal (2015) e a 10a Bienal do Mercosul (2015). Além disso, em 2016, participou da Billingbear Residency, na Inglaterra.