FARGO 2026 | Feira de Arte Goiás
A Luciana Brito Galeria tem o prazer de anunciar sua participação na 8a edição da FARGO - Feira de Arte Goiás, uma das principais plataformas de arte do estado. Para o evento, a galeria selecionou obras dos artistas Afonso Tostes (1965, Brasil), Caio Reisewitz (1967, Brasil), Campana (Fernando Campana, 1965 - 2022, Brasil. Humberto Campana, 1953, Brasil), Delson Uchôa (1956, Brasil), Gabriela Machado (1960, Brasil), Iván Navarro (1972, Chile) e Rob Wynne (1948, EUA).
A madeira ocupa um lugar central na pesquisa de Afonso Tostes, tanto por sua carga simbólica quanto por suas qualidades formais, articulando questões ligadas à sustentabilidade e ao meio ambiente. A escultura em metal da série Sem título (2026) estabelece um contraponto às suas conhecidas peças em madeira, nas quais o artista se apropria de troncos e fragmentos encontrados para criar composições que sugerem instabilidade, em alusão ao desequilíbrio das florestas. A galeria apresenta ainda Árvore pequena (2023), construída com papel de livros descartados, e um conjunto de pinturas Sem título (2025), nas quais Afonso Tostes emprega pó e resíduos de madeira provenientes de sua própria produção para ativar uma poética de reconstrução do que se perdeu, neste caso, as próprias árvores.
A galeria também apresenta duas obras de Caio Reisewitz. A obra Mamanguá XXII (2013) integra uma série de fotografias realizada no Saco do Mamanguá, em Paraty (RJ), região conhecida como o único “fiorde tropical” do Brasil, ou seja, uma reentrância marinha de cerca de 8 km, cercada por montanhas de Mata Atlântica. A imagem, imperceptível a olho nu, foi capturada a noite por meio de fotografia analógica com longa exposição (90 minutos), utilizando filme diapositivo Kodak (cromo). O tom azulado resulta de uma falha de reciprocidade, no qual a relação entre tempo de exposição e incidência de luz deixa de ser linear, produzindo desvios cromáticos. Já a obra Jacupiranga (2025) deriva de pesquisa inédita do artista sobre a toponímia paulista, realizada na região de Cananéia (SP), onde passa o histórico Caminho de Peabiru, uma rede de trilhas pré-coloniais que conectava o Oceano Atlântico, no litoral brasileiro, ao Oceano Pacífico, no Peru, utilizada tanto por povos indígenas quanto por exploradores europeus.
Do Estúdio Campana a galeria traz a dupla Cadeira Teddy Bear marrom (2025) e Puff Netuno (2025), fazem parte da Coleção Banquete e dão continuidade a uma investigação recorrente do estúdio, na qual o mobiliário incorpora materiais não convencionais, como as pelúcias. Inspirada na ideia do banquete como encontro, abundância e prazer sensorial, essa coleção explora volumes generosos, texturas macias e formas orgânicas. Suas peças deslocam o objeto funcional para o campo da experiência sensorial e afetiva, evocando imaginários ligados à infância e à memória e proporcionando uma experiência tátil e emocional, em que o design se aproxima do gesto, do humor e da intimidade, reafirmando a vocação do estúdio para reinventar materiais e narrativas.
Em suas pinturas, o artista alagoano Delson Uchôa trabalha não apenas a estridência solar e vegetação alagoana, como também referências cromáticas da arte plumária, através da cultura indígena. Essa interação da luz com a matéria, quando aplicada em obras de menor dimensão, como em Construção I não posso esquecer Mondrian (2022), é costurada em padrões geométricos sofisticados, causando fenômenos ópticos contrastantes aos olhos. Já as pinturas de Gabriela Machado revelam fragmentos de seu cotidiano. As cenas, cores e formas que atravessam seu dia a dia são as grandes fontes de inspiração para a artista, das quais as utilizam para criar narrativas, como um diário de bordo, desde 2017. As pinturas de maior dimensão, como Catuaba (2025), trazem expressividade gestual em uma escala mais corporal, através de processos rápidos e orgânicos, em que a artista exterioriza seus sentimentos e estados de espírito, enquanto as pinturas menores realizam um trânsito de fora para dentro, trazendo para a tela as percepções do entorno, como registros de paisagens.
A luz é o fio condutor para as obras de Iván Navarro, que geralmente questionam a sociedade, a política, além da própria história da arte, com mensagens transmitidas ao público de maneira subliminar através de seus títulos, cores e símbolos. Suas instalações coloridas e luminosas, como Square Light (2019), travam um diálogo com o minimalismo, provocando nossos sentidos, ao passo que interagem com o espectador.
Rob Wynne, o mais novo artista representado pela Luciana Brito Galeria, é um colecionador de memórias. Muito atento ao seu próprio contexto e à cultura popular, o artista utiliza a sintaxe visual para combinar fragmentos extraídos de conversas, literatura, teatro, cinema etc, em obras que empregam principalmente textos como elementos principais. Acidentalmente, durante uma visita em uma fundição de vidro, o artista descobriu seu verdadeiro interesse pelo material, que passou a ser largamente utilizado em sua obra, na qual ele trabalha formas orgânicas a partir do material ainda líquido.
