Produzidas em óleo sobre tela, as obras da exposição Between us and the sun se organizam em dois núcleos. O primeiro reúne pinturas abstratas, enquanto o segundo apresenta trabalhos que incorporam uma “camada adicional” de significado, nos quais Tiago Tebet sugere a presença do que denomina como “figuras sobrenaturais”. Mais do que uma divisão formal, esses dois núcleos de pinturas configuram campos sensíveis de percepção, situados no limiar entre o visível e o invisível, o abstrato e o figurativo. Ao conceber a pintura como um espaço de ressignificação energética, o artista constrói superfícies de cor que oscilam entre a autonomia abstrata e a sugestão de seres latentes e invisíveis, instaurando uma ambiguidade que desafia o olhar. Nesse contexto, o “sobrenatural” não se apresenta como tema, mas como operação, ou seja, um deslocamento perceptivo que leva o espectador a habitar zonas de indeterminação, nas quais a imagem se constitui tanto pelo que revela quanto pelas projeções e repertórios que a atravessam.
O processo orgânico de produção das pinturas reforça a espontaneidade e a autonomia de cada trabalho. Nesse contexto, o artista se coloca como um vetor de criação, dando forma e revelando a potência latente da obra. Sua prática se desenvolve de maneira rápida e fisicamente engajada, mantendo a tela como um campo de ação para o registro de energia, tempo e presença.
A pintura constitui o eixo central da pesquisa de Tiago Tebet. Desde muito jovem, o artista investiga seus processos e possibilidades de ressignificação. Em seus primeiros trabalhos, dedicou-se à representação de elementos do cotidiano, bem como a universos ligados à contracultura, como o skate. Aliando rigor técnico, sua prática se desenvolve de forma singular, com especial interesse na experimentação de materiais e procedimentos pictóricos. A mostra Between us and the sun, dessa forma, evidencia um momento de maturidade e sofisticação alcançados pelo artista, marcado ainda pela construção de uma linguagem mais depurada. Tal evolução revela uma atenção crescente ao comportamento da cor e à elaboração de atmosferas de caráter onírico. Dessa forma, em sua produção recente, Tiago Tebet amplia o campo da pintura como espaço de experiência, no qual a imagem se configura menos como representação e mais como acontecimento.
