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    Inverno Dentro do Bosque

    curadoria Fernando Mota

     

     

    Afonso Tostes | Caio Reisewitz | Eder Santos
    Fernando Zarif | Junia Penido | Liliana Porter
    Marina Abramovic | Marina Woisky | Mika Takahashi
    Paula Garcia | Raphael Zarka | Regina Silveira
    Selva de Carvalho | Sofia Borges | Thiago Honório
    Thomaz Farkas | Tobias Putrih | Wagner Malta Tavares

     

     

  • “Quando se tenta resolver uma questão insolúvel, não há tempo para escolher os meios.”

    Ryûnosuke Akutagawa – Rashômon

     

    “Depois tudo foi silêncio… Não, ainda se ouvia o choro de alguém. Livrando-me da corda, apurei o ouvido. Mas, não, era eu mesmo que estava a chorar…”

    Ryûnosuke Akutagawa – Dentro do bosque

     

     

    Em 1950, o diretor japonês Akira Kurosawa adaptou para o cinema dois contos de seu conterrâneo Ryûnosuke Akutagawa: “Rashômon” (1915) e “Dentro do bosque” (1922). O primeiro trata da decadência de uma sociedade e de seus costumes, questiona a ambivalência e o cinismo da natureza humana quando confrontada com dilemas morais e existenciais. O segundo comporta a impossibilidade do julgamento e da verdade absoluta dado um cenário com versões conflituosas de testemunhas sobre o mesmo fato. Enquanto a primeira história é retratada nas ruínas do antigo portão de entrada da cidade de Quioto, a segunda tem como palco um bosque nas redondezas do centro urbano. Em sua premiada versão audiovisual, Kurosawa utilizou o título, o cenário e parte da discussão moral de “Rashômon” para desenvolver a estrutura narrativa original de “Dentro do bosque” e contar a essência da história: as contradições de diferentes narradores a respeito de um acontecimento específico. Chocam-se as percepções, as interpretações individuais e as manipulações dos relatos de um crime. Esta forma de contar uma mesma história através de pontos de vista e descrições incompatíveis, na qual a subjetividade narrativa sobrepõe-se à objetividade factual de um determinado evento, ficou conhecida como “Efeito Rashômon”.

     

    A mostra Inverno Dentro do Bosque nasce de um desejo de experimentação expográfica e narrativa a partir destes dois contos nipônicos. Kurosawa encontrou um método dentro da linguagem cinematográfica, mas como seria uma versão nas artes visuais? Como poderia ser adaptada e utilizada esta técnica literária dentro de uma exposição? Assim, partindo de uma exceção à regra dentro do meio artístico contemporâneo, aqui o conteúdo serve à forma, a estrutura prevalece sobre o conceito. O espaço, portanto, é fundamental para tal fim. A Luciana Brito Galeria traz em sua arquitetura um jogo de espelhos e rotas duplicadas que favorecem e amplificam o objetivo central da exposição: proporcionar caminhos distintos para o público interpretar a história como bem entender. Para reforçar essa característica vital da mostra definiram-se pares de trabalhos similares, de forma que em diversos momentos do percurso a sensação do visitante é de uma estranha e enganosa repetição. Do início ao fim e ao início novamente, cada trabalho está posicionado dentro da galeria com o intuito de contrapor outra obra e fortalecer uma das rotas e narrativas da mostra, nada é aleatório, toda a exposição se ergue a partir de uma expografia aliada à arquitetura da casa e de seus anexos. Ao longo dos trajetos encontramos constantemente o corpo humano ou partes dele, junto a sombras, objetos e outros seres que anunciam uma presença e um certo mistério: algo aconteceu, ou então, está para acontecer. A simbologia também vai na mesma direção nebulosa, evocando inclusive elementos das histórias originais: cadeiras solitárias em frente à lareira, casulos nos jardins, olhos nos observando nas passagens, barcos em direções opostas, portões abandonados e cadeados fechados, cavalos em movimento, moscas, máscaras, mulheres enigmáticas, silhuetas não identificadas, uma vegetação cerrada… são vestígios de cenas passadas, indícios de uma história incompleta e invernal. Testemunhamos alternativas de um mesmo roteiro que se modifica nos desvios, nos detalhes, nos desacordos entre as imagens e nas divergências ao revelar as evidências no espaço. Como nos comportamos no terreno da incerteza, na ausência da confirmação? O quanto podemos acreditar em nossas memórias, em vagas lembranças, ou em informes de terceiros? Qual parte da história realmente vimos, qual ouvimos, e qual sequer sabemos da existência? Duvidar dos outros é sempre o caminho mais fácil, contudo, quando o que nos resta é apenas uma face dos fatos, repleta de lapsos e contornos imprecisos, somos capazes de assumir a fragilidade da nossa própria verdade?

     

    A escolha do tema é também proveniente da finalidade de abordar algo que, assim como a literatura, já venho trabalhando com frequência nas curadorias de exposições: a ambiguidade intrínseca no ser humano, além da incongruência que carregamos e dos paradoxos que enfrentamos - ou escolhemos esconder - em nossas vidas.

     

    A respeito da exposição no contexto maior da Tetralogia das Estações, vale ressaltar certas características e decisões: Trazer a atmosfera sombria dos contos para a casa exigia que a mostra fosse realizada numa estação mais fria, menos agitada e propícia à reflexão. As escolhas dos trabalhos e seus posicionamentos no espaço também sugerem um clima de introspecção e observação, uma leitura mais lenta e atenta, uma montagem mais racional e menos intuitiva, em contraste com a estética expansiva, sensorial e convidativa da exposição anterior (Fauna, Flora e Primavera, 2022); sai a leveza e a composição livre e entra a disciplina e o esforço de uma apresentação calculada. Enquanto na Primavera as obras e a expografia induziam ao encontro do ser humano com a natureza, a um realinhamento dessa relação em um plano de descoberta e revisão, no Inverno há um desalinhamento interno, a busca por um reencontro desse ser consigo mesmo e a chance de uma nova visão partindo de dentro. Na Primavera contemplamos as várias formas de vida. No Inverno refletimos sobre as nossas variadas mortes.

     

    Fernando Mota

  • Afonso Tostes, 1965, Belo Horizonte, Brasil. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil.
    A F O N S O  T O S T E S
    “Máscara 7”, 2022

    madeira e policromia

    wood and polychrome

    60 x 18 x 15 cm

    23.62 x 7.09 x 5.9 in

    Afonso Tostes

    1965, Belo Horizonte, Brasil. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil.
    A matéria e sua estrutura, formas de conexão, fixação e sustentação são conceitos que atraem o interesse de Afonso Tostes. E foi a partir dos anos 2000, que o artista inicia a pesquisa que passa a nortear seu trabalho: a tridimensionalidade e sua representação no espaço. Trata-se de uma evolução coerente desde o começo de sua carreira, a qual já estudava as formas estruturais orgânicas no desenho e na pintura. Conhecido por suas grandes instalações, Afonso Tostes resgata as histórias preliminares dos materiais, principalmente a madeira, expõe e transforma suas narrativas, de acordo com uma sensível reconstrução no espaço expositivo, ou mesmo com a ressignificação de objetos menores já existentes, como ferramentas e utensílios de trabalho.
  • A F O N S O T O S T E S “Máscara 8”, 2022 madeira e policromia wood and...
    A F O N S O  T O S T E S
    “Máscara 8”, 2022

    madeira e policromia

    wood and polychrome

    80 x 16 x 16 cm

    31.5 x 6.3 x 6.3 in
  • Caio Reisewitz, 1967. São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    C A I O  R E I S E W I T Z
    “Cocos Nucífera”, 2016

    c-print em metacrilato

    c-print mounted on Diasec

    230 x 157 cm

    90.55 x 61.81 in

    Caio Reisewitz

    1967. São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    A pesquisa de Caio Reisewitz traz a fotografia como suporte principal. Através do refinamento técnico e temático, sua obra apresenta um interesse pela ação do homem e seus efeitos sociais e políticos, seja no espaço natural, seja no espaço arquitetônico. Enquanto sua técnica fotográfica exalta a dramaticidade entre formas, cores e texturas, sua poética artística constroi um repertório estético quase onírico. Esses aspectos estabelecem um diálogo dicotômico entre o real (aquele característico do registro fotográfico) e o quimérico (nossos próprios repertórios).
  • C A I O R E I S E W I T Z “Taguatinga”, 2023 impressão jato de tinta em...
    C A I O  R E I S E W I T Z
    “Taguatinga”, 2023

    impressão jato de tinta em metacrilato

    ink jet print on Diasec

    150 x 200 cm

    59.05 x 78.74 in
    ed 1/5
  • Eder Santos, 1960, Belo Horizonte, Brasil. Vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil.
    E D E R  S A N T O S
    “Cinema”, 2009

    vídeo mono canal (cor/som) - HDCAM

    single channel video (color/sound)

    duração: 13’13’’

    duration: 13’13’’

    Eder Santos

    1960, Belo Horizonte, Brasil. Vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil.

    A pesquisa de Eder Santos trabalha com o hibridismo próprio da linguagem audiovisual, proporcionando por meio de seus vídeos verdadeiras experiências sensoriais, com planos de pinturas sonorizadas que combinam distorções de cores e sons. Explorando temáticas próprias do cotidiano mineiro, a pesquisa de Eder Santos demonstra compreender a importância da representatividade das mídias tecnológicas na cultura contemporânea, bem como suas responsabilidades como ferramentas universais de comunicação.

  • E D E R S A N T O S “Ouragualamalma”, 2009 vídeo duração: 11’05’’ duration: 11’05’’ ed 1/3 View...
    E D E R  S A N T O S
    “Ouragualamalma”, 2009
    vídeo

    duração: 11’05’’

    duration: 11’05’’
    ed 1/3
     
  • Fernando Zarif, 1960, São Paulo, Brasil - 2010, São Paulo, Brasil.
    F E R N A N D O  Z A R I F
    “Operação plástica / Chirurgie esthétique (Portrait)”, 1997

    técnica mista sobre tela

    mixed media on canvas

    22 x 14 cm
    8.66 x 5.51 in

    Fernando Zarif

    1960, São Paulo, Brasil - 2010, São Paulo, Brasil.
    Visionário e incessante questionador, Fernando Zarif é autor de uma vasta produção, onde estabeleceu uma linguagem autêntica e independente dos preceitos culturais de sua época, associando-se a expressões de vanguarda, como as performances e vídeo instalações. Fernando Zarif é considerado uma das figuras mais emblemáticas da geração paulistana da década de 1980. A partir dos anos de 1990, o artista passou a incorporar em sua pesquisa a apropriação de objetos diversos, mantendo ou não a integridade desse material, mas sempre ressignificando-o. Além da escultura, do vídeo e da performance, o artista explorou outros suportes artísticos, como a escrita, o desenho, a pintura e a música.
  • F E R N A N D O Z A R I F “Operação plástica / Chirurgie esthétique (Portrait)”, 1997...
    F E R N A N D O  Z A R I F
    “Operação plástica / Chirurgie esthétique (Portrait)”, 1997

    técnica mista sobre tela

    mixed media on canvas

    22 x 14 cm
    8.66 x 5.51 in
  • Junia Penido, 1997. Belo Horizonte, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    J U N I A  P E N I D O
    “Procura-se”, 2026

    óleo sobre linho

    oil on linen

    46 x 31 cm / 44 x 34 cm
    18.11 x 12.20 in / 17.32 x 13.38 in

    View more details

    Junia Penido

    1997. Belo Horizonte, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

    A prática artística de Junia Penido tem a pintura como eixo central de sua pesquisa. Durante a graduação, desenvolveu uma pesquisa fundamentada na teoria crítica da arquitetura sobre as relações entre as práticas do ateliê de pintura e do canteiro de obras. Atualmente, suas pinturas partem do aumento e deslocamento da iconografia para evocar situações de estranheza e ambiguidade. Para isso, a artista trabalha a transposição de imagens, provenientes de fotografias e filmes digitais — como sequências de tomadas, iluminação, texturas e ângulos — para a superfície da tela. Sua prática reflete também o interesse pelo processo construtivo da imagem e pelo modo como a tinta, enquanto matéria, é capaz de carregar e transmitir sentidos.

  • Liliana Porter, 1941, Buenos Aires, Argentina. Vive e trabalha em Nova York, EUA.
    L I L I A N A  P O R T E R
    “Encounter with bird” , 2024

    porcelana e madeira sobre base de madeira

    porcelain and wood on wood plynth

    20,32 x 12,7 x 8,89 cm

    8 x 5 x 3.5 in

    Liliana Porter

    1941, Buenos Aires, Argentina. Vive e trabalha em Nova York, EUA.
    Por meio de referências da cultura popular e da memória coletiva, Liliana Porter se utiliza de artifícios que beiram o fantástico para compor trabalhos que subvertem as convenções impostas pelo cotidiano e pela própria arte, criando situações ambíguas e controversas, em situações chamadas “vinhetas teatrais”. Através de uma coleção particular de imagens e pequenos objetos, a artista trabalha diferentes suportes, desde fotografia, vídeos e instalações, para nos colocar diante de narrativas alegóricas e distorcidas da realidade e do tempo.
  • L I L I A N A P O R T E R “Encounter with silver bird“, 2024 plástico e...
    L I L I A N A  P O R T E R
    “Encounter with silver bird“, 2024

    plástico e metal sobre base de madeira

    plastic and metal on wood plynth

    7,62 x 3,17 x 20,32 cm

    3 x 1.25 x 8 in
  • Marina Abramovic, 1946. Belgrado, Sérvia. Vive e trabalha em Nova York, EUA.
    M A R I N A  A B R A M O V I C
    “Chair for Human Use (III)”, 2015

    madeira e pedras de cristal quartzo

    wood and crystal quartz stones

    125 x 47 x 70 cm

    49.22 x 18.50 x 27.56 in
    ed 2/4

    Marina Abramovic

    1946. Belgrado, Sérvia. Vive e trabalha em Nova York, EUA.
    Marina Abramovic ficou mundialmente conhecida por sua pesquisa na arte da performance, que introduziu na experiência artística, ainda na década de 1960, a discussão sobre os limites do corpo e da mente, além da relação direta entre o artista e o público. A partir da década 1980, a artista passou a investigar os assuntos relacionados à espiritualidade e ao sincretismo religioso, além dos potenciais da mente, do corpo e do espírito, através da conexão com a natureza e o sagrado. Essa investigação ganha ainda mais importância na obra da artista depois de sua primeira visita ao Brasil, em 1989. Essas experiências compõem um rico material para produção de fotografias, vídeos, esculturas e instalações.
  • M A R I N A A B R A M O V I C “Chair for Human Use (II)”,...
    M A R I N A  A B R A M O V I C
    “Chair for Human Use (II)”, 2015

    madeira e pedras de cristal quartzo

    wood and crystal quartz stones

    110 x 65 x 80 cm

    41.31 x 25.60 x 31.50 in
    ed 1/4
  • Marina Woisky, 1996, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    M A R I N A  W O I S K Y
    “Dois cavalos”, 2026

    impressão sobre tecido, argamassa e resina

    printing on fabric, mortar and resin

    51 x 70 x 2,5 cm

    20.07 x 27.50 x 1 in

    Marina Woisky

    1996, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    Marina Woisky utiliza imagens de objetos decorativos e de ornamentos com representações orgânicas como substrato para sua produção. Distorcidas, deslocadas e comprimidas por sucessivas transposições materiais e pela passagem do tempo, essas imagens são transformadas pela artista em animais e paisagens extraordinários e quiméricos, apresentados em obras que se posicionam no limiar entre a bi e a tridimensionalidade. Com isso, a artista aborda a representação, problema fundamental das artes e noções de gosto, assim como o próprio estatuto imagético na sociedade contemporânea.
  • M A R I N A W O I S K Y “Cavalo duplo”, 2026 impressão sobre tecido, argamassa e...
    M A R I N A  W O I S K Y
    “Cavalo duplo”, 2026

    impressão sobre tecido, argamassa e resina

    printing on fabric, mortar and resin

    98 x 102 x 4 cm

    38.58 x 40.15 x 1.57 in
  • Mika Takahashi, 1988, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    M I K A  T A K A H A S H I
    “Rizoma”, 2025

    óleo sobre tela

    oil on canvas

    27 x 35 cm
    10.60 x 13.80 in

    View more details

    Mika Takahashi

    1988, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

    A artista visual Mika Takahashi dedica-se especialmente à pintura. Sua produção mais recente traz referências visuais do mundo dos sonhos e da memória, ao mesmo tempo em que dialoga com um vasto repertório de imagens científicas sobre os seres do universo. O gestual é marcado pela sobreposição de camadas de tinta a óleo, densas ou dissolvidas, criando composições abstratas que evocam a dinâmica das formas orgânicas em constante transformação. Antes disso, a artista trabalhou paisagens e cenas de cotidiano, que mais pareciam fundir retratos antigos e contextos de fantasia, memórias ou sonhos. A carga narrativa de seu trabalho está conectada com sua trajetória, uma vez que atuou por muito tempo como ilustradora e quadrinista para publicações e vídeos de animação, tendo publicado dois livros: “Ink stories” e “Além do trilhos”.

  • M I K A T A K A H A S H I “Seeds”, 2025 óleo sobre tela oil on...
    M I K A  T A K A H A S H I
    “Seeds”, 2025

    óleo sobre tela

    oil on canvas

    27 x 35 cm
    10.60 x 13.80 in

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  • Paula Garcia, 1975, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

    P A U L A  G A R C I A

    “Cabeça Ruída”, 2024

    metal, ímãs de neodímio e pregos banhados a prata

    metal, neodymium magnets and silver-plated nails

    50 x 35 x 51 cm
    19.68 x 13.78 x 20.08 in
    ed 1/3 + 2 P.A.

    Paula Garcia

    1975, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    Para Paula Garcia, a performance é sobre estado mental, instinto e pele. O interesse pelo corpo já havia levado a artista a estudar teatro antes mesmo de se embrenhar nas artes visuais. Situações de embate e os limites do corpo são temas que permeiam a pesquisa de Paula Garcia, que tem a performance sua principal forma de expressão, além de considerar o vetor ideal para trabalhar as sensações e os sentidos. Em suas performances, o tempo muitas vezes é um agente catalisador para criar conexões entre o corpo e o mundo, construindo resultados que permanecem como instalações residuais.
  • P A U L A G A R C I A “Cabeça Ruída”, 2024 metal, ímãs de neodímio e pregos...

    P A U L A  G A R C I A

    “Cabeça Ruída”, 2024

    metal, ímãs de neodímio e pregos banhados a ouro

    metal, neodymium magnets and gold-plated nails

    50 x 35 x 51 cm
    19.68 x 13.78 x 20.08 in
    ed 1/3 + 2 P.A.
  • Raphaël Zarka, 1977, Montpellier, França. Vive e trabalha em Paris, França.
    R A P H A E L  Z A R K A
    “La Deduction de Wenzel”, 2013

    compensado e tinta de offset

    plywood, offset ink

    170 x 130 x 3 cm

    66.93 x  x 51.18 x 1.18 in
    ed 1/3

    Raphaël Zarka

    1977, Montpellier, França. Vive e trabalha em Paris, França.
    Raphaël Zarka parte do experimentalismo teórico para construir sua pesquisa artística, que atravessa por diversas mídias, incluindo pintura, escultura, fotografia e vídeo. Seu interesse principal situa-se na potencialidade escultórica das estruturas, seus volumes e geometrias, influenciado pela arquitetura e urbanidade. O artista frequentemente colabora com comunidades locais para seus projetos, que exploram a história e a materialidade dos objetos e espaços envolvidos. O skateboarding, particularmente, representa um elemento importante na sua investigação, não apenas pela cultura que envolve essa prática, mas também pela dinâmica das superfícies utilizadas, como as rampas, por exemplo. Pode-se dizer que o ponto de convergência de seu trabalho é a mudança de significado das formas de acordo com o espaço e o tempo em que estão inseridas.
  • R A P H A E L Z A R K A “La Deduction de L’auteur”, 2013 compensado e tinta...
    R A P H A E L  Z A R K A
    “La Deduction de L’auteur”, 2013

    compensado e tinta de offset

    plywood, offset ink

    179,5 x 132 x 3 cm

    70.66 x 51.96 x 1.18 in
    ed 1/3
  • Regina Silveira, 1939, Porto Alegre, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    R E G I N A  S I L V E I R A
    “Sombras” da série “Dilatáveis”, 1981/2022

    impressão em papel Hahnemüle Canvas Cezanne 430 gm2 com ploter Canson IPF Pro 4000 com tintas Canon Lucia Pro

    printing on Hahnemüle Canvas Cezanne 430 gm2 paper with Canon IPF Pro 4000 plotter with Canon Lucia Pro inks

    100 x 245 cm

    39.37 x 96.46 in

    Regina Silveira

    1939, Porto Alegre, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    A pesquisa artística de Regina Silveira questiona as formas tradicionais da representação visual, levando-a a trabalhar novas possibilidades de meios e significações. Suas obras exploram o espaço arquitetônico e contextual, geralmente operando por meio de narrativas gráficas, para causar deslocamentos da percepção e estranhamentos, com base na experiência comum dos espaços que virtualmente modifica. A artista é conhecida por sua pesquisa sobre os princípios da perspectiva, suas distorções e estudo das sombras, que emprega em grandes instalações site specific e, sobretudo, por seu uso variado de meios, que incluem não apenas gravuras, porcelanas, tapeçarias e recortes de laminados, como vinil recortado digitalmente, projeções luminosas, vídeo instalações e realidades virtuais e aumentadas.
  • Selva de Carvalho, 1986, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    S E L V A  D E  C A R V A L H O
    “As muitas faces de Crisálida”, 2026

    bordado, grafite e carvão sobre algodão cru com estrutura de madeira e tinta a base de terra na parte de trás

    embroidery, graphite and coal on raw cotton structured on wood

    170 x 50 cm
    66.92 x 19.68 in

    View more details

    Selva de Carvalho

    1986, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

    Artista visual multidisciplinar, Selva de Carvalho tem no desenho e no bordado fundamentos centrais de sua prática, que se desdobra em uma pesquisa voltada às relações simbólicas, oníricas, eróticas e orgânicas entre elementos, corpos e forças, sejam naturais e sobrenaturais, visíveis e invisíveis. A dança e a poesia também integram seu campo de investigação, configurando-se como espaços de exploração, incorporação e expressão dessas relações.

  • S E L V A D E C A R V A L H O “As muitas faces de Crisálida”,...
    S E L V A  D E  C A R V A L H O
    “As muitas faces de Crisálida”, 2026

    bordado, grafite e carvão sobre algodão cru com estrutura de madeira e tinta a base de terra na parte de trás

    embroidery, graphite and coal on raw cotton structured on wood

    170 x 50 cm
    66.92 x 19.68 in

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  • Sofia Borges, 1984. Ribeirão Preto, Brasil. Vive e trabalha em Nova York, EUA.
    S O F I A  B O R G E S
    “Effacement of sculptures”, 2021

    papel de arroz e monotipia sobre seda

    rice paper and monotype on silk

    43 x 30,5 cm
    17 x 12 in

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    Sofia Borges

    1984. Ribeirão Preto, Brasil. Vive e trabalha em Nova York, EUA.

    Sofia Borges é uma artista conceitual que utiliza fotografia, assemblage, performance e instalação para investigar questões filosóficas relacionadas aos artefatos culturais, especialmente aos objetos museológicos. Sua pesquisa concentra-se na relação entre matéria e significado, explorando como os sentidos atribuídos aos objetos se transformam ao longo do tempo e como esses processos revelam o caráter complexo, instável e continuamente mutável da cultura. Em um primeiro momento, sua produção desenvolveu-se principalmente por meio da fotografia, tomando como campo de pesquisa espaços de representação e produção de conhecimento, como museus, zoológicos, cavernas, sítios arqueológicos e instituições de história natural. Nessas obras, a artista examina os limites da imagem e os modos pelos quais percebemos, classificamos e atribuímos significado ao mundo. Mais recentemente, Sofia Borges expandiu sua prática para incluir performances, esculturas, instalações e projetos curatoriais, aprofundando seu interesse por experiências imersivas e pela ideia de uma “obra de arte total”, na qual diferentes linguagens se articulam para desafiar as fronteiras entre objeto, imagem, espaço e espectador.

  • S O F I A B O R G E S “Effacement of sculptures”, 2021 papel de arroz e monotipia...
    S O F I A  B O R G E S
    “Effacement of sculptures”, 2021

    papel de arroz e monotipia sobre seda

    rice paper and monotype on silk

    46 x 30,5 cm
    18 x 12 in

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  • Thiago Honório, 1979, Carmo do Paranaíba, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    T H I A G O  H O N Ó R I O
    “Estudo para visto” , 2023-2025

    lápis de cor aquarelável e grafite sobre papel milimetrado; folha de jacarandá

    watercolor pencil and graphite on graph paper; rosewood leaf

    37,5 x 27,5 x 4 cm

    14.76 x 10.82 x 1.57 in

    Thiago Honório

    1979, Carmo do Paranaíba, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    A pesquisa de Thiago Honório é marcada pela variedade de influências e temporalidades, articuladas em uma abordagem multidisciplinar que dialoga com diversos autores e movimentos artísticos. Frequentemente desenvolvida a partir de um apurado grau de detalhamento, sua produção associa o imprevisível a um refinado apuro formal. Assim como na montagem fílmica, o artista também faz uso do artifício da justaposição de elementos, aparentemente díspares e que resultam em trabalhos com uma aparente harmonia. Os elementos utilizados pelo artista não apenas compõem a materialidade das obras, mas também sua textualidade, situando-as em um contexto em que a autenticidade reside na capacidade de articular e rearranjar referências e materiais existentes. 
  • T H I A G O H O N Ó R I O “Estudo para visto” , 2023-2025 lápis de...
    T H I A G O  H O N Ó R I O
    “Estudo para visto” , 2023-2025

    lápis de cor aquarelável e grafite sobre papel milimetrado; folha de jacarandá

    watercolor pencil and graphite on graph paper; rosewood leaf

    27,5 x 37,5 x 4 cm

    10.82 x 14.76 x 1.57 in
  • Thomaz Farkas, 1924, Budapeste, Hungria – 2011, São Paulo, Brasil.
    T H O M A Z  F A R K A S
    “Melanie I”, 1948/2024

    impressão jato de tinta com pigmento mineral sobre papel de algodão 310g

    inkjet print with mineral pigment ink on cotton paper 310g

    100 x 80 cm

    39.37 x 31.5 in
    ed 2/11

    Thomaz Farkas

    1924, Budapeste, Hungria – 2011, São Paulo, Brasil.

    As primeiras séries autorais de Thomaz Farkas estão associadas à sua experiência com o Foto Cine Clube Bandeirante, onde o artista contribuiu para os avanços da fotografia brasileira. Sua prática concentrava-se nos recursos técnicos criativos, em detrimento do pictorialismo e dos gêneros tradicionais conduzidos pela pintura (retrato, paisagem etc). Em suas fotografias, Thomaz Farkas registrava as cenas cotidianas dos grandes centros, arquitetura e paisagens urbanas, por meio de composições geométricas e ângulos inusitados. A obra do artista reúne não apenas registros do dia a dia, mas compõe um rico testemunho histórico e social brasileiro. 

    • Thomaz Farkas “Expedição ao rio Negro, Amazônia”, 1975 impressão digital digital print 25 x 37 cm 9.84 x 14.57 in ed 1/17
      Thomaz Farkas
      “Expedição ao rio Negro, Amazônia”, 1975
      impressão digital
      digital print
      25 x 37 cm
      9.84 x 14.57 in
      ed 1/17
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    • Thomaz Farkas “Expedição ao rio Negro, Amazônia”, 1975 impressão digital | digital print 25 x 37 cm 9,84 × 14,57 in
      Thomaz Farkas
      “Expedição ao rio Negro, Amazônia”, 1975
      impressão digital | digital print
      25 x 37 cm
      9,84 × 14,57 in
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  • Tobias Putrih, 1972, Kranj, Eslovênia. Vive e trabalha em Cambridge, EUA, e Liubliana, Eslovênia.
    T O B I A S  P U T R I H
    “Compressions A”, 2016

    papelão, compensado, metal clips de plástico e elástico

    cardboard, plywood, metal, plastic clips and elastic rope

    156 x 107 x 6 cm
    61.41 x 42.12 x 3.34 in

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    Tobias Putrih

    1972, Kranj, Eslovênia. Vive e trabalha em Cambridge, EUA, e Liubliana, Eslovênia.

    Tobias Putrih frequentemente atribui às suas obras o papel de projetos e ideias de outros já existentes em arquitetura. Inspirados por pensadores arquitetos, como os norte-americanos Buckminster Fuller e Friedrich Kielser e o franco-húngaro Yona Friedman, os projetos materialmente efêmeros do artista abordam conceitos utópicos e visionários de design e arquitetura do século XX, através de modelos arquitetônicos improvisados ​​de espaços públicos, como cinemas, bibliotecas e galerias. Esses ambientes temporários são produzidos a partir de materiais comuns, descartáveis ​​e industriais: MDF, papelão, monofilamentos, isopor e andaimes. Por vezes, o artista adota o uso de materiais intangíveis, como membranas de bolhas de sabão, luz e sombra, de forma a explorar os limites do design, arquitetura e escultura. 

  • Wagner Malta Tavares, 1964, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
    W A G N E R  M A L T A  T A V A R E S
    “Dafne”, 2020

    cobre e pintura automotiva

    copper and automotive paint

    74 x 28 x 17 cm
    29.13 x 11 x 6.70 in

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    Wagner Malta Tavares

    1964, São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

    A tridimensionalidade constitui o eixo central da pesquisa de Wagner Malta Tavares. Embora trabalhe com diferentes meios, como fotografia, vídeo, instalação, desenho, performance, gravura e colagem, sua investigação permanece orientada por questões relacionadas à massa, volume, espacialidade e pelas formas de organização do corpo no espaço.

  • W A G N E R M A L T A T A V A R E S “Figura sentada”,...
    W A G N E R  M A L T A  T A V A R E S
    “Figura sentada”, 2020

    cobre, pintura automotiva e tecido

    copper, automotive paint and fabric

    47 x 17,5 x 16,5 cm
    18.50 x 6.88 x 6.50 in

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