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Galeria Luciana Brito

t twoninethree in-residence na Luciana Brito Galeria

LB News
  • Tris Vonna-Michell © Paulo Peixoto
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De 5 de agosto a 9 de setembro de 2017, a mostra traz para o espaço expositivo da galeria trabalhos exclusivos de Claire Fontaine, Fabian Herkenhoener, Martin Soto Climent e Tris Vonna-Michell.

A exposição orbita em torno da ambígua relação existente entre os conceitos de apropriação, autoria, objeto ready-made e a também delicada relação entre linguagem, narrativa pessoal e história coletiva. Em sua poética Claire Fontaine trabalha a rejeição da ideia de autoria e originalidade através da apropriação e re-elaboração de símbolos, objetos e imagens da cultura contemporânea tendo como objetivo a investigação das consequências do capitalismo em nossa sociedade. Uma das obras de arte mais emblemáticas do coletivo com sede em Paris, Via Tribunali 293, 2.03.2010, é a cópia das chaves da sede napolitana da galeria t twoninethree: a decisão de exibir esses objetos ordinários na Luciana Brito Galeria, onde ficarão potencialmente disponíveis para qualquer um, traduz a intenção de usar a arte como um dispositivo para análise e crítica de questões sócio-políticas, como o conceito de propriedade privada. In God They Trust, outro trabalho presente na mostra, é uma moeda de 25 centavos de dólar cortada pela metade e equipada com uma lâmina de corte retrátil. O objeto não é detectável por controles de segurança se tornando uma arma que, apesar de ser simples e pequena, alimenta um medo paranoico de uma violência potencialmente omnipresente. O texto escrito ainda é outro elemento crucial na prática artística de Claire Fontaine, que na mesma exposição apresenta May Our Enimies Not Prosper [Que nossos inimigos não prosperem], que gira em torno dos temas da violência e a crise dos refugiados.

A autoria também é uma palavra-chave na prática de Fabian Herkenhoener, o artista decide confrontá-la através da técnica literária do corte. Proposta pela primeira vez pelo poeta Tristan Tzara durante uma manifestação surrealista na década de 1920, a prática consiste na desconstrução de um texto primário usando o recorte aleatório de palavras e frases para a formação de novas frases em um novo sentido lógico. A interpretação de Herkenhoener desta técnica leva a um processing text [texto em processo], expressão inventada pelo artista para explicar sua pesquisa, em que a linguagem aleatória é enriquecida por uma dimensão biográfica (já que ele é o autor de alguns dos textos originais) e por uma dimensão visual onde palavras e frases tomam formas geométricas ou invadem a tela como uma grade, enfatizando a dinâmica mental e emocional através das quais foram geradas. Na mostra, Herkenhoener criará trabalhos sobre as paredes da galeria, usando textos escritos durante uma viagem na Califórnia e no México a caminho de São Paulo.

Em suas criações com inspiração surrealista, o artista mexicano Martin Soto Climent explora o potencial transformador dos objetos do cotidiano e encontra materiais para criar novas formas poéticas nas quais esses elementos assumem um papel simbólico novo e mais profundo. Através de estratégias artísticas conceituais, tais como apropriação e justaposição, esses objetos são cuidadosamente remontados em colagens, instalações e esculturas que, na sua simplicidade, aludem ao readymade. A capacidade de Soto Climent interpretar o site-specific e conferir leveza e sensualidade a objetos através da mínima intervenção toma forma com quatro trabalhos onde roupas velas se tornam ferramentas pictóricas e atuam como cores, linhas e geometrias na superfície das telas. Novas ormas de interagir com a realidade para sugerir perspectivas.

Embora muitas das obras de Tris Vonna-Michell tenham traços claramente autobiográficos, estes não são empregados para autenticar ou legitimar seus trabalhos, mas sim ajudar a ancorar os multifacetados contextos sociopolíticos e histórico-culturais nos quais podem ser produzidos alguns imaginários. Um verdadeiro contador de histórias, Vonna-Michell constrói narrativas que incluem pesquisas históricas e observação social filtradas por anedotas pessoais. Seus trabalhos são sempre contex- specific [específico ao contexto] e são constantemente modificados através de pequenas intervenções para o que ele denomina uma “narrativa da forma”. A versão da obra Registers concebida especialmente para essa exposição consiste em uma sequencia de fragmentos filmados durante uma viagem do artista ao Japão em 2008. Todos os fragmentos foram feitos espaços de transito, tais como passagens subterrâneas, viadutos, estações, docas e são reorganizadas em uma narrativa anacrônica que obriga o espectador a mover-se constantemente para trás e para frente no tempo. A voz inconfundível e rápida do artista acompanha a sequência de imagens juntamente com uma trilha sonora que é o resultado de uma montagem de composições musicais do artista e músico Jan Matthé, baseado na Antuérpia.

Esta exposição coletiva é resultado da segunda fase da bem sucedida colaboração entre a Luciana Brito Galeria e a galeria t twoninethree, sendo a primeira a exposição realizada em junho de 2017 em Roma onde apresentamos obras de Héctor Zamora, Pablo Lobato e Rafael Carneiro.

A Luciana Brito Galeria tem o prazer de anunciar sua próxima exposição que abre no dia 5 de agosto e é resultado de um projeto colaborativo com a galeria t twoninethree sediada em Roma.

abertura: 05/08/2017, 12h – 18h

visitação: 08/08/2017 – 09/09/2017

terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 18h

 

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