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Galeria Luciana Brito

Caio Reisewitz: Vitrine

LB News
  • © Paulo Peixoto
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Meses antes de Luciana Brito Galeria anunciar, em 2016, sua mudança para a Residência Castor Delgado Perez, Caio Reisewitz visitou o espaço ainda vazio e em renovação. Seu interesse por arquitetura e por paisagens naturais e, consequentemente, por sua confluência no paisagismo, encaixou-se perfeitamente ao local: uma residência modernista desenhada por Rino Levi na qual se encontra encapsulado um jardim tropical cuidadosamente projetado por Burle Marx – jardim que é a peça central de sua próxima individual, “Vitrine”.

Parte de um processo relevante à sua trajetória recente, em que o artista vê a fotografia menos como algo colado ao suporte fotográfico que como situações relacionadas a certo entendimento imagético, a obra que intitula a mostra, Vitrine, é uma intervenção site-specific criada pela adesivagem de películas amarelas semitransparentes aos vidros que envolvem o jardim de Burle Marx, conferindo uma nova profundidade ao espaço.

Se a vitrine é uma caixa onde se coloca um objeto digno de contemplação, com esta instalação, Reisewitz problematiza aquilo que já está implícito na ideia de paisagismo e de fotografia de paisagem (gênero que o consagrou como um dos mais relevantes fotógrafos brasileiros contemporâneos), a saber: seja fisicamente ou através de imagens, toda representação é na verdade construção; mas, mais do que isso, é esta natureza representada, ou seja, o simulacro de natureza, que de fato configura o objeto digno de contemplação, e não a natureza em si.

Completam a exposição duas fotografias de pequenas dimensões e uma colagem fotográfica realizadas a partir de uma visita ao Jardim Botânico de Berlim (Dahlem). Enquanto o jardim da residência Castor Delgado Perez representa um projeto de maturidade de Burle Marx, o Dahlem aparece aqui como uma referência aos seus anos de formação: filho de alemão de origem judaica, Burle Marx passou o final de sua adolescência em Berlim, e suas visitas ao Dahlem são citadas como essenciais para a consolidação de seus interesses e para o desenvolvimento de sua posterior carreira.

Soma-se às diferentes temporalidades e camadas interpretativas presentes em Vitrine a intenção do artista de desdobrar a exposição em ainda outro projeto: a partir da realização de fotografias de sua Vitrine ao longo do período expositivo – retornando em imagem fotográfica aquilo que foi motivado por um entendimento expandido da fotografia –, Reisewitz prevê a criação de um livro de artista, a ser lançado ao final da mostra.    

Luciana Brito Galeria abre simultaneamente individuais de Caio Reisewitz e Tiago Tebet. Compostas exclusivamente por obras inéditas, ambas as exposições são permeadas por temas relacionados a arquitetura e urbanismo enquanto manifestações culturais de privilegiado interesse sociológico.

 

abertura: 11/11/2017, 12h – 18h

visitação: de 14/11/2017 a 20/01/2018

terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 18h